segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A vida em números

Distância da minha casa ao meu trabalho: 11 Km; distância do meu trabalho a Vênus: 40 a 260 milhões de Kms (dependendo das órbitas). Meu peso: 10 Kg a mais do que (acho) deveria ter; peso de Júpiter: não sei, mas deve ser grande (e mesmo assim, flutua!). Altura: 1m81; nascimento: 22/05/1971; RG: 1.113.295-2; CPF: 839.516.739-05; nº da Carteira da Sociedade Brasileira de Ufologia que fiz aos 14 anos: 8620 (nunca me pediram esse importante documento). Velocidade da Terra: 107.000 Km/h (mas durante um beijo, o tempo para). Tempo de uma semicolcheia: num Adagio, surpreendentemente longo; tempo de lutos, tristezas e traumas: excessivo; tempo para ler bons livros: insuficiente. O quanto eu ganho: poderia ser mais, mas ainda bem que não é menos. Número de teclas do meu piano: 88; número de ossos no corpo humano: 206; população no planeta: 7 bilhões; número de bactérias que vivem em nosso corpo: mais de 40 trilhões. Número de ocorrências da letra ‘a’ em Grande Sertão Veredas: bem maior que da letra ‘x’. Número de vezes em que as estatísticas estavam erradas: não encontrei nas estatísticas. O futuro de ontem: hoje; o ontem de amanhã: daqui a pouco. O formato de um número: alguns são retos, outros, sinuosos. Certo é que o 8 não é mais que o 7 nem vem antes do 9. Os números não medem a si mesmos, apenas existem como quem toma chá num final de tarde. A poesia é a mãe de toda relatividade.

Alberto Heller

5 comentários:

  1. Estava comedido em seus números... não contou o número de dias da semana, do mês, do ano, de estudos, de amigos, de familiares vivos e daqueles já perdidos... afff !!!! Um matemático já disse que TUDO são números. Acho que você concorda com ele! Belo texto!

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    1. Obrigado Valéria! Pois é, receei virar A Lista do Oswaldo Montenegro rs. Mas enfim, números e poesia também combinam. Beijo!

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  2. É o retrato falado do labirinto da vida. Precisamos colocar poesia em tudo pra dar sabor . Senão vejamos: quantas pessoas morreram porque o geddel guardava 51 milhões num apto? quantas vezes prometemos a nós mesmos tomarmos tal atitude e somos impotentes? quantas vezes eu teimo que o valor de uma semicolcheia é relativo...se ela está num adágio ou num allegro? Por isso aquele monte de números do metrônomo irrita....em suma, o tema é divertido. Aliás, está na hora de somar estas histórias todas e publicar para multiplicá-las e dividir com todos. O tempo não oára.

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    1. O tempo não para, mas metrônomo insiste hehe. Beijo!

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